Experiente atleta brasileiro de MMA conta a realidade do esporte nacional

Tiago Souza

Tiago Souza é natural de Porto Alegre, pai, atleta profissional de MMA, professor e busca aos seus 38 anos estar nos principais palcos nacionais e internacionais de grandes eventos de MMA. Recentemente enquanto se preparava para lutar no evento Taura MMA que ocorreu no Rio de Janeiro no final de 2020, ele conta como é a realidade do esporte nacional. Seus treinos são feitos diariamente na academia Boxer MMA, localizada no Bairro Vila Ipiranga em Porto Alegre, onde também é sócio da academia e professor de mais de 100 alunos que treinam semanalmente no espaço.

O lutador revelou como funciona seu relacionamento com o esporte nacional a partir das dificuldades encontradas ao longo de sua carreira, como os novos talentos podem enfrentar essa jornada para que consigam chegar onde tanto sonham e o que faz o esporte ser tão agraciado por seus praticantes.

Tiago Souza
Foto: Kelvin Roarque e Manoel Resende | PUNTER Marketing Esportivo

Como é sua relação com o esporte?

Resposta: Minha relação com o esporte é de total amor pelo que eu faço dentro das Artes Marciais, do MMA, do Boxe, Jiu-Jitsu, Muay Thai, Judô, enfim, minha relação é de total respeito por conta da filosofia marcial ao qual eu aprendi e a qual eu prego e tento repassar todo dia, busco sempre repassar tudo aquilo que aprendi dentro do esporte.

O que você acha que as artes marciais podem agregar a quem não pratica?

Resposta: Autoestima, autocontrole, sem contar o desenvolvimento técnico e o bem-estar físico, esses dois conjuntos. Só quem pratica as artes marciais sabe o quão é bom, o quão é valoroso, ainda mais quando se aplica dentro de uma academia a filosofia marcial, quando o aluno sai mais seguro, com autocontrole, com autoestima elevada, mais preparado para os males do cotidiano.

De que maneira a inserção nesse esporte pode colaborar para um melhor desenvolvimento das novas gerações na sociedade?

Resposta: É um meio de inclusão social o esporte, o esporte ele te agrega, tanto dentro da academia, quanto fora, depende como tu leva isso pra fora da academia, o esporte é 100% benéfico, ele agrega muito, ele colabora muito para o desenvolvimento das novas gerações, da criançada, ou seja, isso deveria ser curricular na escola, toda criança deveria aprender as artes marciais, caso a criança não aprendesse Boxe, Jiu-Jitsu, Muay Thai, Judô, alguma delas obviamente, ela não passaria de ano, o jovem não passaria de ano sem aprender ao menos uma arte marcial, acredito que o esporte deveria ser curricular. Um exemplo é Abu Dhabi (capital dos Emirados Árabes), onde é obrigatório o jovem treinar Jiu-Jitsu, tendo mais de 26 mil crianças lutando Jiu-Jitsu dentro das escolas, então acho que aqui deveria ser da mesma forma.

Você como atleta, sente que poderia ser feito mais perante o poder público para incentivar nossos talentos do esporte? Como?

Resposta: Através das escolas, muito a ver com o que respondi agora pouco na pergunta anterior, a parte da inserção no esporte, então, teria que ter mais professores dentro das escolas dando aulas de Jiu-Jitsu, Judô, até mesmo de Boxe, Muay Thai, isso deveria ter, assim como professor de Português, Matemática, Inglês, deveria ter um professor de Jiu-Jitsu, Boxe, Muay Thai, Karatê, Taekwondo, seja de qualquer arte marcial, de algum jeito ela tinha que ser inserida dentro das escolas, isso sim poderia incentivar novos talentos no esporte.

Durante seu tempo de treinamento, como foi sua relação em conciliar vida de atleta e o trabalho convencional para se manter financeiramente?

Resposta: Eu dou aula, sobrevivo do esporte e sou lutador profissional, então tem muito a ver com o meu trabalho, eu sendo lutador profissional, eu ensino para alunos convencionais aquilo que eu faço dentro do octógono, dando aula e sendo atleta profissional, então eu consigo conciliar minha aulas com os treinamentos, graças a Deus eu não preciso ter outro trabalho formal, então pra mim ficou mais fácil conciliar tudo.

Muito se fala na inserção de jovens com renda mais baixa na sociedade através do esporte, como você enxerga e contribui para ações desse tipo?

Resposta: A inserção de jovens com renda mais baixa na sociedade através do esporte é complicada pois faltam mais ações sociais para que isso possa beneficiar os jovens de baixa renda, então acho que faltam mais projetos sociais, essa é a realidade, o governo deveria inserir mais ações sociais, até mesmo nas escolas.

Dentro da sua academia, de que forma você busca promover a acessibilidade de todos os cidadãos que buscam praticar esse esporte?

Resposta: Nas minha aulas, a gente orienta que eles (os alunos) continuem cuidando sua alimentação, continuem treinando para que eles consigam ver neles mesmos a mudança para que eles possam estar cada vez mais aprendendo, se desenvolvendo tecnicamente, e construindo seu bem-estar, atrelado ao benefício físico, para que as pessoas vejam neles a mudança, através do ensino e da prática.

Muito se fala que através da prática constante dentro de um centro de treinamento se constrói uma família por parte dos praticantes, como você acha que esse valores podem contribuir para a sociedade?

Resposta: O Jiu-Jitsu na Boxer (academia onde treina), o MMA, o Boxe, Muay Thai, mas falando particularmente do Jiu-Jitsu, que realmente é uma família, nós acabamos se conhecendo, tu acaba fazendo um amigo, uma amiga, fazendo um churrasco na graduação (mudança de faixa, voltada ao mérito a experiência por parte do praticante), então tu acaba vendo a família Jiu-Jitsu como uma segunda família, agregando muito nessa parte, de verdade, constrói uma família por parte dos praticantes.

De modo geral, as artes marciais trazem uma filosofia aplicada e diversos valores éticos através de técnicas milenares. De que modo você leva esses atributos para fora da academia?

Resposta: Tudo que eu aprendi através das Artes Marciais eu levo pra fora da academia, dentro desses 18 anos que eu to dentro do esporte, ele me fez aprender todos os meus ensinamentos e me fez aprender a repassar todos os ensinamentos para os meus alunos, para as pessoas que eu formei, então eles agregaram muito no conhecimento de um modo geral.

Como o esporte contribuiu para sua formação interior como cidadão?

Resposta: Ele me fez mais forte, eu aprendi a ser e estar mais forte, sou muito grato aos meus mestres apesar de dois deles já não estarem mais vivos, isso tudo me tornou mais forte, mais preparado para o mundo, para os males que o cotidiano nos promove, as Artes Marciais te deixam mais preparado pra vida!

Muitas pessoas ainda veem os esportes de lutas como algo ofensivo e relacionam com a marginalização desse tipo de atleta ou praticante, você sente isso e como você lida com esse tipo de preconceito? 

Resposta: Realmente, se tu vai para uma academia onde não tem filosofia marcial, sem saber muito com quem tu treina, com quem vai te ensinar, pode acontecer isso, porque muitas vezes, muito já aconteceu e acontece, no Brasil e no mundo todo das pessoas buscarem qualquer um para ensiná-las, então, eu sempre digo assim que cada um tem o professor que merece e o aluno tem que saber realmente com quem ele ta treinando, quem vai ensinar ele, as vezes tu tá aprendendo com um marginal que não tem nada pra ti passar a não ser coisas ruins, que tu acaba pegando vícios, chegou na academia sem saber nada, então saber realmente com quem se treina é muito importante para que uma parcela pequena de pessoas não repasse esses valores que acabam estereotipando o atleta.

Nesse cenário de 2020/21 que estamos vivendo, como você tem lidado com o esporte em meio a pandemia?

Resposta: Como eu sobrevivo do esporte, faço tudo dentro do CT (centro de treinamento), treino e dou aula, consigo me prevenir lógico, usando máscara, os alunos usando máscara, não foi fácil, mas graças a Deus eu não parei até agora na Pandemia e não vou parar, porque eu sobrevivo disso, eu precisava trabalhar e eu consegui me prevenindo e orientando os alunos, com todas medidas cabíveis que a Pandemia nos exige para combater o COVID-19.

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